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Laboratório / Residência

de 01 a 05 de outubro

Atelier 1m2 recebe Eletrônica Naïf

Eletrônica Naïf é o projeto de arte sonora do percussionista Negalê Jones.
Objetos feitos com restos de tecnologia,brinquedos a pilha quebrados e/ou modificados,
componentes elétricos reutilizados,papelão,micro processadores e software de código aberto.

Durante uma semana o objetivo será a criação de 4 instrumentos,
osciladores geradores de ondas senoidais,quadradas e triangulares.
Tais instrumentos serão a base de uma experiência cimática.

Será utilizada uma técnica de soldagem sobre papelão,reciclando material descartado
e dispensando o uso de novos produtos químicos na criação da placa matriz.

No último dia,um micro-concerto será realizado e gravado,com a participação do
coletivo de arte e tecnologia HTLT LAB/hightechlowtech.

 

…total suspensão…

copio aqui o comunicado postado hoje por todos os locatários da fábrica:

COMUNICADO

Alguns esclarecimentos sobre a atual situação da Antiga Fabrica da Bhering, depois desta série de reviravoltas e urgentes demandas das últimas semanas.

Por enquanto, nada está definido. O decreto da prefeitura ainda não foi concretizado. Ele apenas indica a intenção da prefeitura de manter-nos no prédio, uma vez que as atividades realizadas no local estariam em consonância com os interesses do projeto oficial para a revitalização do porto, pois somos uma das manifestações culturais espontâneas da região, assim como os Filhos de Gandhi, Vizinha Faladeira, Filhos de Talma, entre outros.

Além do decreto de desapropriação, houve também um tombamento temporário, que neste caso indicaria a intenção da prefeitura na manutenção do próprio edifício, devido à importância arquitetônica e histórica desta construção industrial do início do século passado.

Apesar dos dois decretos, a nossa permanência só será garantida quando a prefeitura efetivar a desapropriação. Não sabemos quanto tempo isso pode levar e ainda esperamos um encontro com a prefeitura para termos maiores informações.

Também não temos autonomia para a administrar o prédio. Estamos pagando os alugueis em juízo e o antigo proprietário continua sendo o administrador. Assim, a situação atual é indefinida e confusa, pois este limbo administrativo coloca em risco o normal funcionamento das instalações.

Estamos diante de um longo processo de reestruturação interna. Estamos nos organizando e preparando diretrizes para propor um modelo de auto-gestão inédito na cidade, que contaria com parcerias públicas e privadas, a fim de promover inúmeras atividades abertas à cidade, assim como a continuação das atividades que já realizamos há mais de dois anos no local.

Estamos felizes em perceber como este caso colabora para uma discussão da sociedade sobre os desejos para a cidade, para a cultura e para a região portuária.

Gostaríamos de agradecer todas as manifestações de apoio, a repercussão deste caso foi decisiva para a suspensão da ordem de desocupação. Assim que pudermos, postaremos mais notícias.

Os Locatários

Segue abaixo um pequeno histórico dos acontecimentos recentes da Antiga Fábrica da Bhering:

– A fábrica foi desativada na década de 90.
– A família Barreto, antiga proprietária da fábrica, começa a alugar lotes para empresas e espaços para locações de cinema e televisão.
– Em 2005, eles alugam uma área para o primeiro ateliê de arte.
– A partir de 2010, há uma crescimento espontâneo de ateliês alugados por artistas e pequenas empresas na fábrica.
– Em 2011, o edifício é leiloado por suposto não pagamento das dívidas e então arrematado pela SYN-Brasil. Os locatários não tinham conhecimento deste leilão até o mês passado.
– Vários novos contratos de aluguel foram fechados, mesmo após a venda.
– Em julho de 2012, os 72 locatários recebem com surpresa uma intimação judicial para desocupação da fábrica em 30 dias.
– Uma semana depois, a prefeitura decreta que o prédio é de utilidade pública para fins de desapropriação e também seu tombamento provisório.
– Enquanto a questão se mantém indefinida, a justiça suspende temporariamente a desocupação do prédio.

Julho, 2012.

Dia 1º, ateliê 1m2 recebeu Mônica Nador do JAMAC (Jardim Miriam Arte Clube), para uma fala e uma expo relâmpago. O público presente ouviu o relato sobre a ação realizada no alto do Morro da Providência, com a Casa Amarela, na semana anterior. Convidei o JAMAC para vir ao Rio e responder com pintura à pintura imposta pela prefeitura aos habitantes da comunidade que um belo dia amanheceu com várias fachadas pichadas com iniciais da Secretaria Municipal de Habitação, determinando a demolição compulsória das casas.

Dia 24. Recebo um email dos administradores da Bhering falando sobre notificação, intimação, vara, execução, embargo. Em resumo: neste dia, um oficial de justiça começou a entregar intimações de despejo aos locatários. Trinta dias, ponha-se na rua. A fábrica foi leiloada no ano passado, para surpresa de todos, e agora a justiça exige a desocupação em prol do novo proprietário. A lei não garante direitos aos locatários em caso de leilão. Ponha-se na rua.

A ação do JAMAC no 1m2/Casa Amarela intuiu uma relação entre a comunidade da Providência e os artistas da Bhering, que essa recente ordem judicial confirmou. Todos estão à mercê de um novo poder, a parceria público-privada, e da especulação imobiliária. Somos todos parte do precariado, e é importante que nos reconheçamos uns aos outros para fortalecer interesses humanos comuns frente ao capital.

Minha intenção era construir pontes, um primeiro passo para encontro, troca e transformação. Uma ponte bem longa, ligando um agente cultural bem-sucedido da periferia de São Paulo até o centro cultural de uma favela em situação de emergência do Rio. Outra ponte, inscrita na região do Porto Maravilha, para conectar dois pontos que, na época, representavam exemplos bem distintos das rápidas mudanças na zona portuária. Enquanto o Morro da Providência acordou com mais de 800 casas marcadas para demolição e perdeu sua quadra de esportes e eventos, a antiga fábrica da Bhering recebia cada vez mais artistas da zona sul da cidade dispostos a investir em infraestrutura e trabalhar na região. Pareciam ser dois pontos opostos da equação de gentrificação. Mas diante da especulação imobiliária, a comunidade do morro e artistas compartilham a mesma condição de precariedade.

O mecanismo que opera a ordem de despejo é diferente nos dois casos, mas ambos agem com extrema truculência, ignorando fatores subjetivos e culturais, apoderando-se de valores que lhe interessam e destruindo tudo o que fica no caminho. A cidade parece se moldar exclusivamente para o turista, ignorando as necessidades e direitos de seus próprios moradores. É o turismo a única vocação do Rio de Janeiro? Queremos uma paisagem maquiada de clichês?

Em 18 meses, produzi naquele quadrado mais de 80 aquarelas, apresentei uma instalação e recebi projetos de outros artistas em duas exposições, um show, uma performance e uma fala. O 1m2 também se transmaterializou em uma exposição no centro do Rio e numa ocupação em Lisboa. O 1m2 acabará em breve. Já planejo um último evento de despedida, provavelmente à la Galeria Rex. Tragam suas picaretas e amplificadores. A gente sai, mas faz barulho.

Mônica Nador e Maíra das Neves, fala sobre o JAMAC no 1m2

 

a casa antes

 

durante

 

a casa pintada, no Largo do Oratório, Morro da Providência

em julho, JAMAC no 1m2 [dia 10/7, fala de Monica Nador e expo] e na Casa Amarela [de 4 a 7/7, oficina de estêncil e pintura de muros].

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preparação dos cartazes na Casa Amarela, com Yasmin [fotos, gracias!], Diego e Eduardo:

 

 

sexta-feira 13

Mãe (Mother)

uma performance de Shima

fotos: Joana Varon

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hoje completamos um ano de contrato de aluguel. e começa o segundo.

 

today is the rental contract’s first anniversary. and the second year begins.